terça-feira, 20 de outubro de 2009

Fonte esgotável pede socorro

Falta de conscientização tem extinguido fonte de sobrevivência

Apesar de parecer abundante e inacabável, a água potável é um bem com risco de extinção. Enquanto muitos países enfrentam problemas com a sua escassez, o Brasil possui uma das maiores reservas hídricas do mundo. A facilidade do acesso à água em nosso país pode ser um fator determinante para a falta de conscientização dos brasileiros quanto às maneiras de reaproveitamento e racionalização.
Além de auxiliar na diminuição do desperdício, o reaproveitamento da água pode ser proveitoso por diminuir enchentes no caso da implantação de sistemas de coletas de água. Para o engenheiro ambiental Gilberto Horta, é preciso reavaliar os sistemas de escoamentos de chuvas e planejar a estruturação hidráulica das residências. O engenheiro explica que além dos benefícios ambientais, existe também a redução de gastos financeiros, já que os reservatórios de água da chuva ajudariam a reduzir os níveis de utilização da água nos setores residenciais, comerciais e industriais.
Para Gilberto, a falta de informação é um dos principais motivos para o baixo índice de implantação do sistema de reaproveitamento hidráulico. “A população, de um modo em geral, desconhece a existência da captação da água da chuva” afirmou. Gilberto explicou que o método é simples: primeiro é criada uma cisterna de armazenamento de água, em seguida é instalado o equipamento que levará a água do telhado até a cisterna.
Apesar dos inúmeros benefícios da reutilização da água, é preciso avaliar a existência de resíduos e sujeiras existentes nos telhados. Mesmo o sistema sendo equipado com filtros de purificação, a água reaproveitada não pode ser ingerida nem utilizada como método de higienização, e deve ser usada apenas na utilização doméstica.
Segundo Joselaine Aparecida Ribeiro Filgueiras, gerente de Tecnologia de Informação em Recursos Hídricos do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) a reutilização da água é mais comum no setor industrial. “Esse reuso é feito nos próprios empreendimentos para resfriamento de equipamentos, lavagem de pátios etc., enfim, em atividades cuja qualidade da água é menos exigente” explicou. Joselaine afirmou não ter o levantamento do número de empresas participantes de projetos de reutilização da água, mas segundo ela, a Federação das Indústrias (FIEMG) está desenvolvendo o Programa Produção Mais Limpa (P+ L) e Reuso de Água na Indústria, o que ajudará a promover a disseminação do assunto e a controlar o número de indústrias que participam do projeto.
A IGAM é o órgão técnico ambiental responsável por implantar a política das águas em Minas Gerais. Suas atividades são importantes por gerenciarem conflitos pelo uso da água, seu direito de uso e o monitoramento de sua qualidade, além de cadastrar seus usuários. “O objetivo do cadastramento é conhecer em Minas quem usa, como usa e para quê usa água. Visa ajudar a definir ações mais apropriadas, projetos e programas para melhoria da qualidade e da qualidade da água”, explicou Joselaine. Através do monitoramento da qualidade da água são feitas análises na época seca e na época chuvosa. No total existem quatro campanhas por ano que são feitas desde 1997.

O órgão também é responsável pela cobrança do uso da água. Essa cobrança será iniciada esse ano e começara em algumas bacias: Araguari (triângulo mineiro), Velhas e Piracicaba-Jaguari (sul de Minas). Para Joselaine essa cobrança é importante por evitar o desperdício e diminuir a poluição das águas. “Todos que fazem retiradas significativas de água e lançamentos de efluentes da natureza passarão a pagar um preço por isso”, completou.

Falta de acesso á água é real
O desperdício da água e a falta de consciência por parte da maioria da população mundial têm sido constantes atualmente. Pessoas se desfazem de água potável com tanta naturalidade que parecem não se preocupar com a possibilidade de sua extinção.
Projeções feitas por cientistas calculam que em 2025 cerca de 2,43 bilhões de pessoas estarão sem acesso à água. No Brasil, 40% da água tratada
é desperdiçada. A água doce e potável está distribuída de forma desigual no mundo. Assim, alguns países procuram meios de racioná-la quando outros se excedem no desperdício.
A agricultura é o setor que mais consome água no país (cerca de 59%), o uso doméstico e setor comercial consomem em torno de 22% enquanto o setor industrial fica por último com 19% do consumo. Neste caso, a implantação do sistema de escoamento e reaproveitamento da água é importante em todos os setores, mas possui grande relevância quando aderido pelos agricultores.
Segundo divulgação feita pela Agência Nacional das Águas (ANA), a região hidrográfica Amazônica abriga sozinha 74% da disponibilidade de água e é habitada por menos de 5% dos brasileiros. Ainda assim, as demais regiões brasileiras não possuem um planejamento específico que minimize o gasto excessivo da água. Já nas regiões norte e nordeste, muitas famílias sofrem com a seca constantemente. Algumas famílias chegam a ficar quatro dias consecutivos sem água.
Esta matéria é um trabalho para a faculdade de jornalismo, porém seus dados, fontes e apurações são reais. Matéria de Júlia de Andrade. Entrevista de Raíssa Daldegan.

Nenhum comentário:

Postar um comentário