O mundo reencontra os Beatles
Fãs recebem com entusiasmo versão remasterizada da banda
Terminou no último dia 9 de setembro a tão esperada remasterização dos Beatles. Os 14 álbuns da banda foram reeditados em formato digipack com livretos e fotos inéditas. Além disso, cada CD terá uma faixa contendo clipes de minidocumentários sobre o quarteto. A notícia causou a satisfação de milhões de fãs em todo o mundo, e será a solução para a má qualidade de som existente nos discos de vinil.
Serão lançadas, a princípio, duas caixas distintas, uma com os CDs em versão stereo e outra com o processo original de gravação. A segunda não virá com os álbuns "Yellow Submarine", "Abbey Road" e "Let It Be", por terem sido gravados originalmente em stereo. As mixagens, planejadas cuidadosamente, foram feitas uma a uma, e a equipe técnica passou horas discutindo os procedimentos das gravações.
A previsão é de que a obra dos 13 álbuns com a coletânea de Singles Past Master, que virá acomodada em uma caixa de luxo, custe em média R$800,00. A outra caixa com a versão em mono dos 10 primeiros discos terá o valor aproximado de R$950,00. Ambas as caixas terão edições limitadas no mercado. Os CDs remasterizados custarão em torno de R$ 35 individualmente.
O trabalho realizado no catálogo dos Betales durou quatro anos. Esta será a primeira vez em que os primeiros álbuns da banda poderão ser ouvidos em estéreo. As fotos raras disponíveis nos encartes e as imagens dos minidocumentários foram editadas por Bob Smeaton e montadas a partir de um material particular dos Beatles. Um DVD contendo todos os vídeos ainda será editado, com duração de uma hora, e vendido à parte.
Leilão
Responsável pela remasterização dos Beatles, a gravadora inglesa EMI, é detentora dos direitos da Apple, o selo da banda. A aquisição foi feita durante um leilão promovido pelo grupo internacional Sotheby e a obra foi adquirida pela gravadora por 78.500 libras (cerca de 300 mil reais) há mais de uma década. A compra consistia em um rolo de fita contendo uma gravação rara do grupo Quarrymen, embrião dos Beatles, datada de 6 de julho de 1957. A relíquia pertencia a Bob Molyneux, um policial aposentado, e trazia as músicas "Puttin' On The Style" e "Baby Let's Play House".
O sucesso do projeto da gravadora foi tão grande que a seis dias do seu lançamento, as novas caixas do Beatles já estavam esgotadas no site amazon.com e muitos fãs já estão em lista de espera. A EMI postou uma mensagem no site informando que já estão providenciando a produção de novas caixas, a prensagem, porém, poderá ser demorada.
Os herdeiros de Michael Jackson terão participação direta nos lucros das vendas dos CDs remasterizados. O cantor era detentor de todos os direitos autorais das músicas dos Beatles. Em declarações recentes o ex-beatle Paul McCartneu pareceu se lamentar por essa perda. "Eu esperava que Michael Jackson me devolvesse em seu testamento o direito pelas obras dos Beatles, mas infelizmente isso não aconteceu".
Tecnologia
Fãs recebem com entusiasmo versão remasterizada da banda
Terminou no último dia 9 de setembro a tão esperada remasterização dos Beatles. Os 14 álbuns da banda foram reeditados em formato digipack com livretos e fotos inéditas. Além disso, cada CD terá uma faixa contendo clipes de minidocumentários sobre o quarteto. A notícia causou a satisfação de milhões de fãs em todo o mundo, e será a solução para a má qualidade de som existente nos discos de vinil.
Serão lançadas, a princípio, duas caixas distintas, uma com os CDs em versão stereo e outra com o processo original de gravação. A segunda não virá com os álbuns "Yellow Submarine", "Abbey Road" e "Let It Be", por terem sido gravados originalmente em stereo. As mixagens, planejadas cuidadosamente, foram feitas uma a uma, e a equipe técnica passou horas discutindo os procedimentos das gravações.
A previsão é de que a obra dos 13 álbuns com a coletânea de Singles Past Master, que virá acomodada em uma caixa de luxo, custe em média R$800,00. A outra caixa com a versão em mono dos 10 primeiros discos terá o valor aproximado de R$950,00. Ambas as caixas terão edições limitadas no mercado. Os CDs remasterizados custarão em torno de R$ 35 individualmente.
O trabalho realizado no catálogo dos Betales durou quatro anos. Esta será a primeira vez em que os primeiros álbuns da banda poderão ser ouvidos em estéreo. As fotos raras disponíveis nos encartes e as imagens dos minidocumentários foram editadas por Bob Smeaton e montadas a partir de um material particular dos Beatles. Um DVD contendo todos os vídeos ainda será editado, com duração de uma hora, e vendido à parte.
Leilão
Responsável pela remasterização dos Beatles, a gravadora inglesa EMI, é detentora dos direitos da Apple, o selo da banda. A aquisição foi feita durante um leilão promovido pelo grupo internacional Sotheby e a obra foi adquirida pela gravadora por 78.500 libras (cerca de 300 mil reais) há mais de uma década. A compra consistia em um rolo de fita contendo uma gravação rara do grupo Quarrymen, embrião dos Beatles, datada de 6 de julho de 1957. A relíquia pertencia a Bob Molyneux, um policial aposentado, e trazia as músicas "Puttin' On The Style" e "Baby Let's Play House".
O sucesso do projeto da gravadora foi tão grande que a seis dias do seu lançamento, as novas caixas do Beatles já estavam esgotadas no site amazon.com e muitos fãs já estão em lista de espera. A EMI postou uma mensagem no site informando que já estão providenciando a produção de novas caixas, a prensagem, porém, poderá ser demorada.
Os herdeiros de Michael Jackson terão participação direta nos lucros das vendas dos CDs remasterizados. O cantor era detentor de todos os direitos autorais das músicas dos Beatles. Em declarações recentes o ex-beatle Paul McCartneu pareceu se lamentar por essa perda. "Eu esperava que Michael Jackson me devolvesse em seu testamento o direito pelas obras dos Beatles, mas infelizmente isso não aconteceu".
Tecnologia
A tecnologia digital avançou muito desde a década de 80 e proporcionou meios de se recuperar a sonoridade das gravações antigas. Os conversores de analógico para digital evoluíram bastante e já são capazes de trabalhar com grandes resoluções. Com taxas de bits de 24 e 192 Khz, as versões digitais se tornam indistinguíveis das versões originais.
De um modo geral, as remasterizações trazem melhorias simples, porém bastante perceptíveis. Um exemplo disso é a canção “Love Me Do”, que perdeu o tom nublado e poeirento da idade e “The long and Winding Road” não traz mais a sensação de som abafado. O aumento da nitidez e da percepção dos ouvintes é parte dos inúmeros benefícios proporcionados pela remixagem das músicas.
Segundo o cantor e ex Beatle Paul McCartney, em entrevista recente à revista Rolling Stone, a pureza do som é fiel às fitas máster gravadas pela banda. “Soa como quando estávamos no estúdio gravando”, disse. McCartney completou ainda que atualmente, quando ouve a nova versão dos álbuns, sente que está de volta às sessões de gravação.
Os Beatles entre os séculos
Os anos 60 foram marcados por acontecimentos importantes, por revoluções culturais, tecnológicas e científicas. Muitos desses acontecimentos desencadearam um processo de evolução que rompeu o tempo e levou ao surgimento de costumes da atualidade. Muito importante para desenvolvimentos musicais e cinematográficos, a década de 60 deixou na história também a marca de movimentos políticos e revolucionários.
O auge de transformações da época, a onda de protestos da população negra nos Estados Unidos contra a discriminação militar ou seu rompimento com as relações diplomáticas de Cuba, não impediram que quatro jovens – Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr – iniciassem a conquista de um sonho.
Apesar de passar por momentos turbulentos, o mundo aceitou calorosamente o perfil inovador da banda. Foi quando o Brasil inaugurava Brasília, com Juscelino Kubitschek, e passava pelo golpe militar de João Goular, que se gerou, do outro lado do atlântico o quarteto Beatles. Morria Marilyn Monroe, inaugurava-se ópera em Paris, alavancava-se a primeira mulher ao espaço, pela União Soviética. E o mundo assistia atônito às exposições inéditas de Picasso, no Canadá, às retiradas das tropas americanas do Vietnã e à paz promovida fielmente por Martin Luther King, nos Estados Unidos.
Foi o tempo que deu início a nova era musical, que encontrou, quase unanimemente, o coração do mundo. O talento jovem que proporcionou ao público uma das principais mudanças de estilo musical, é revivido hoje com nostalgia, como parte da vida de muitos. Sua solidez e preponderância reluzem nos jovens do novo milênio, que mesmo sem o contato estreito de quem os assistiu antigamente, sentem a banda ressurgir com o melhor que a tecnologia proporciona.
Novo público
O surgimento dos Beatles em 1964 trouxe grande inovação ao mundo. De cabelos longos, barba e bigode, os integrantes da banda quebraram todo o padrão rígido de visual implantado a partir do pós-guerra. Depois de Elvis Presley, primeiro grande fenômeno do Rock, o estilo musical dos Beatles revolucionou o emergente movimento “Rock’n’Roll” que trazia princípios técnicos e atinados do blues com um pouco mais de informalidade.
A evolução do Rock pós-Beatle seguiu-se durante os anos 70 com jovens que criaram suas próprias versões do estilo musical, com características influenciadas pelos Beatles. Cada uma dessas versões derivou novos personagens, cada qual trazendo sempre um pouco de si próprio. Portanto, vale dizer que existe um pedaço dos Beatles tanto no Heavy Metal, quanto no Pop Rock, no Folk Rock ou no Punck Rock.
Nos anos 80, com toda a modernidade que a nova década trazia, os anos 60 foram deixados um pouco de lado e a New Wave tomou conta das rádios. Era época de se remeter a atenção aos longínquos anos 50, através da banda Strays Cats. Apesar do surgimento de várias novas bandas, a década seguinte se iniciou carregada de Beatles. O aumento da diversidade musical não impediu que os anos 90 fossem contaminados com o velho frescor de 30 anos atrás. Esse ressurgimento se manifestou através de um movimento intitulado de “New British Pop”.
Hoje, quarenta anos depois, ainda é possível assistir a influência explícita dos Beatles. No Brasil, um caso recente de referência da banda é o grupo mineiro Skank. O grupo largou o reggae e os metais para se aproximar de seus ídolos dos anos 60. Recentemente o grupo declarou a uma revista estrangeira que o próximo álbum da banda, será musicalmente inspirado pelos Beatles. A expressão atribuída ao último álbum do Skank, de que estaria “Beatles pra Caralho” é explicada pelo vocalista da banda Samuel Rosa. “Não somo nós que estamos Beatles pra caralho, o mundo está Beatles pra caralho”.
Esta matéria é um trabalho para a faculdade de jornalismo, porém seus dados, fontes e apurações são reais. Matéria de Júlia de Andrade.
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